terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Clarice Lispector completaria 93 anos hoje

Nesta terça-feira (10), Clarice Lispector completaria 93 anos. A escritora, que nasceu na Ucrânia e mudou-se ainda criança para o Brasil, é uma das principais autoras da língua portuguesa e escreveu obras importantes, entre eles "A Paixão Segundo G.H" e "A Hora da Estrela".
Clarice, que também foi jornalista e tradutora, ficou famosa pelo seu jeito de escrever. Nos seus livros, ela tenta desvendar os mistérios do ser humano, explorando atitudes e gestos comuns do dia a dia.
Abaixo, confira um texto de "Como Nasceram as Estrelas - Doze Lendas Brasileiras" (Rocco, R$ 28), publicada na "Folhinha" em dezembro de 1987. No livro infantil, ela conta lendas e histórias de personagens do folclore brasileiro, como o Curupira e o Saci.
Ela também publicou outros livros para crianças, como "A Mulher que Matou os Peixes" e "A Vida Íntima de Laura". Clarice faleceu em 1977, no dia 9 de dezembro. 
                                          
                                               Escritora Clarice Lispector em meados dos anos 1960 

Como nasceram a estrelas
Pois é, todo mundo pensa que sempre houve no mundo estrelas pisca-pisca. Mas é erro. Antes os índios olhavam de noite para o céu escuro - e bem escuro estava esse céu. Um negror. Vou contar a história singela do nascimento das estrelas.
Era uma vez, no mês de fevereiro, muitos índios. E ativos: caçavam, pescavam, guerreavam. Mas nas tabas não faziam coisa alguma: deitavam-se nas redes e dormiam roncando. E a comida? Só as mulheres cuidavam do preparo dela para terem todos o que comer.
Uma vez elas notaram que falava milho no cesto para moer. Que fizeram as valentes mulheres? O seguinte: sem medo enfurnaram-se nas matas, sob um gostoso sol amarelo. As árvores rebrilhavam verdes e embaixo delas havia sombra e água fresca. Quando saíram de debaixo das copas encontravam o calor, bebiam no reino das águas dos riachos buliçosos. Mas sempre procurando milho porque a fome era daqueles que as faziam comer folhas de árvores. Mas só encontravam espigazinhas murchas e sem graça. "Vamos voltar e trazer conosco uns curumins." Assim chamavam os índios as crianças. "Curumim dá sorte."
E deu mesmo. Os garotos pareciam adivinhar as coisas: foram retinho em frente e numa clareira da floresta, eis um milharal viçoso crescendo alto. As índias maravilhadas disseram: toca a colher tanta espiga. Mas os garotinhos também colheram muitas e fugiram das mães voltando à taba e pedindo a avó que lhes fizesse um bolo de milho. A avó assim fez e os curumins se encheram de bolo que logo se acabou. Só então tiveram medo das mães que reclamariam por eles comerem tanto. Podiam esconder numa caverna a avó e o papagaio porque os dois contariam tudo. Mas e se as mães dessem falta da avó e do papagaio tagarela? Aí então chamaram os colibris para que amarrassem um cipó no topo do céu. Quando as índias voltaram ficaram assustadas vendo os filhos subindo pelo ar. Resolveram, essas mães nervosas, subir atrás dos meninos e cortar o cio embaixo deles.
Aconteceu uma coisa que só acontece quando a gente acredita: as mães caíram no chão, transformando-se em onças. Quanto aos curumins, como já não podiam voltar para a terra, ficaram no céu até hoje, transformados em gordas estrelas brilhantes. Mas, quanto a mim, tenho a lhes dizer que as estrelas são mais do que curumins. Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, "sempre" não acaba nunca. 


 http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/12/1383238-clarice-lispector-completaria-93-anos-hoje-saiba-mais-sobre-a-escritora.shtml

3 comentários:

Livreando disse...

Admiro muito essa autora.

Parabéns pelo post, é legal encontrar algo informativo.

Bjim!!!

Tammy - Livreando

Livreando disse...

Aproveitando, te indicamos em uma Tag.

6 Livros para ler nas férias

Bjim!!!

Livreando disse...

Flor, te indiquei em uma TAG lá no blog, confere aqui Tag - Livreando

Bjim!!!

Tammy